sexta-feira, 27 de março de 2015

Trocas em ministérios evidenciam Dilma isolada e perdida



Ao nomear dois novos auxiliares nesta sexta-feira, Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência) eRenato Janine Ribeiro (Educação), Dilma Rousseff deu mais uma demonstração de que segue isolada e incapaz de formar um time que reúna duas características: competência técnica e afinidade pessoal com ela própria. No caso de Edinho, Dilma cedeu ao PT as verbas de publicidade da Secom. Como o controle da comunicação é uma obsessão ideológica do partido, ela põe sob suspeita a isenção na partilha desse dinheiro. No caso de Janine, ela entregou um ministério-vitrine a um filósofo sem filiação partidária, que vinha fazendo duras críticas públicas ao governo, e que não tem nenhuma experiência administrativa ou conhecimento profundo da área em que vai atuar.

A terceira troca programada para ocorrer no ministério é a indicação do peemedebista Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara dos Deputados, para a pasta do Turismo - já controlada pelo seu partido.

Edinho Silva é um legítimo quadro da máquina petista: foi deputado estadual, prefeito da cidade de Araraquara duas vezes e também presidiu a seção paulista do PT. Desde 2010, quando atuou na coordenação da campanha de Dilma, o partido já pressionava para que ele exercesse a função no Palácio do Planalto. No ano passado, quando ninguém queria a árdua tarefa de cuidar do caixa da campanha à reeleição, Edinho aceitou a missão.

Se depender dos interesses do presidente do PT, Rui Falcão, que têm a aprovação da maioria dos quadros administrativos da sigla, a tarefa de Edinho já está definida: o governo deve restringir a veiculação de publicidade nos veículos de comunicação que apoiaram as manifestações de 15 de março contra a presidente Dilma Rousseff. Em reunião fechada da legenda na semana passada, Falcão disse que é preciso "quebrar o monopólio da mídia" por meio de "uma nova política de anúncios para os veículos da grande mídia".

Renato Janine Ribeiro chega ao Ministério da Educação como uma incógnita. Apesar da simpatia confessa ao PT, Janine nunca foi filiado ao partido. Fez críticas ao governo e à presidente desde a reeleição, na imprensa e nas redes sociais. Para ascender ao ministério, pode ter contado com o apadrinhamento do prefeito de São Paulo Fernando Haddad e do vice-presidente da República Michel Temer (PMDB), com quem Janine se encontrou recentemente e a quem Dilma tem ouvido mais depois do agravamento da crise com a sigla aliada.

Caso Ribeiro devolva o atual ministro interino Luiz Cláudio Costa ao cargo de secretário-executivo, que ele ocupava até a queda de Cid Gomes, pode-se dizer que o PT mantém o controle sobre a burocracia do ministério. Costa é quadro mineiro do partido, próximo do governador recém-eleito Fernando Pimentel.

Banco Central lança moeda comemorativa do aniversário de 50 anos



O Banco Central lançará, na segunda-feira (30), moeda comemorativa do aniversário de 50 anos da instituição. A moeda, cujo valor de face é R$ 1, traz a fachada do edifício-sede do BC no verso. O BC foi criado por uma lei de 1964 e iniciou suas atividades em 31 março de 1965.

As moedas são bimetálicas, com o centro prateado circundado por um anel dourado. O núcleo é de aço inoxidável e o anel, de aço carbono revestido de bronze. De acordo com o BC, a tiragem inicial será 50 milhões de unidades. As moedas entrarão em circulação por meio da rede bancária.

A insustentável máquina do governo



Na semana passada, pressionada por líderes no Congresso, especialmente do PMDB, a presidente sacou mais uma de suas promessas. “A ordem é gastar menos com Brasília e mais com o Brasil”, disse. A despeito do efeito publicitário indiscutível da frase, a presidente dá sinais de que seguirá na toada já recorrente de dizer uma coisa em público e praticar outra bem diferente no exercício do poder. O governo, na realidade, sempre resistiu em cortar na própria carne. Por isso, permanece desde 2010 com uma colossal estrutura administrativa composta por 39 ministérios, a maioria deles criados para acomodar apadrinhados políticos, cujos custos de manutenção – o chamado custeio – consomem por ano R$ 424 bilhões. Desse total, o gasto com pessoal atinge a inacreditável marca de R$ 214 bilhões, o equivalente a 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Esse universo de servidores soma quase 900 mil pessoas distribuídas pela Esplanada, sendo 113.869 ocupantes de funções comissionadas e cargos de confiança, as chamadas nomeações políticas baseadas no critério do “quem indica. A credibilidade do governo está no fundo do poço, e é impossível imaginar a sociedade acreditando no ajuste fiscal sem que sejam tomadas medidas radicais para reduzir o tamanho dessa monumental máquina. Sem cortar na própria carne, o governo do PT não tem autoridade para pedir sacrifícios ou falar em ajuste fiscal”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
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Não bastassem os 39 ministérios com seus milhares de cargos de indicação política, o que se vê hoje na Esplanada em Brasília é o claro desperdício do dinheiro público, facilmente ilustrado pelo excesso de regalias e benesses à disposição dos ocupantes do poder. A principal função do ministério da Pesca, por exemplo, é distribuir o seguro-defeso – espécie de seguro-desemprego pago a pescadores. A pouca expressividade da pasta não limita as vantagens e os benefícios de quem garantiu um cargo executivo no órgão provavelmente chancelado por algum partido aliado de Dilma. Segundo apurou ISTOÉ, há carros de luxo com motoristas disponíveis aos sete integrantes da cúpula do ministério para deslocamento em Brasília. O custo estimado com a regalia é de R$ 1,5 milhão por mês. Embora o ministério esteja constantemente ameaçado de extinção, a pasta vem se mantendo com estrutura que chama a atenção. São mil servidores em exercício, sendo 440 indicados políticos.
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O benefício de ter carros e motoristas à disposição não é uma exclusividade do ministério da Pesca. Segundo gestores públicos ouvidos por ISTOÉ que já atuaram em diferentes órgãos do governo petista, pelo menos 28 das 39 pastas permitem a benesse para quem está até cinco níveis da hierarquia abaixo do ministro. Isso sem contar os celulares, os cartões corporativos e uma dezena de assessores cujas funções frequentemente coincidem. No ministério do Turismo, que tem uma estrutura mais enxuta e apenas 268 cargos de confiança, o que causa espécie é a quantidade de garçons e copeiras disponíveis para atender a cúpula da pasta. Segundo um dos servidores, há 16 funcionários para servir água e cafezinho aos executivos do ministério.
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No ministério do Turismo, 16 garçons e copeiras foram
contratados para servir os executivos do órgão

Embora prometa cortar despesas, Dilma e sua equipe econômica não querem ouvir falar em redução de pessoal, que consome muito mais do que os principais programas sociais do governo. O Bolsa Família, por exemplo, receberá R$ 27 bilhões – o correspondente a 12% do que o País gasta com servidores federais. Já a Saúde, considerada área prioritária para os brasileiros em todas as pesquisas realizadas, terá investimentos de R$ 109 bilhões neste ano. Custará, portanto, metade do gasto do governo com o funcionalismo. Atualmente, o ministério da Educação é a pasta com maior número de funcionários da Esplanada e serve para mostrar que o tamanho da máquina está longe de ser sinônimo de eficiência. No órgão, há mais de 44 mil cargos de confiança, além dos 285 mil efetivos. Nos últimos anos do governo Dilma, foram criadas 50 mil novas vagas. Em 2015, se a presidente preservar os recursos previstos para a pasta, serão R$ 101 bilhões destinados a cumprir a promessa utópica de campanha de transformar o Brasil em uma “pátria educadora”. Mas até aqui as demonstrações de gestão dadas pelo MEC são da mais completa ineficiência. Um exemplo é o programa de financiamento estudantil, o FIES. O governo flexibilizou as regras relacionadas aos fiadores dos estudantes e reduziu as taxas de juros. Mas falhou no controle dos preços das mensalidades e forçou a ampliação do programa sem analisar os reflexos financeiros. Um exemplo típico de má gestão em um órgão aparelhado por servidores.
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FARRA DOS CARROS OFICIAIS
Não é rara a utilização dos veículos oficiais pelos ministros
fora do horário do expediente 
A Presidência da República figura em segundo lugar no ranking do número de servidores: emprega 6.969 pessoas. Os cargos vêm acompanhados das benesses, o que significam mais e mais gastos com o dinheiro do contribuinte. Em outubro do ano passado, para atender aos seus servidores, a Presidência comprou 130 taças de cristal por R$ 4,5 mil. No apagar das luzes de 2014, além de eletrodomésticos, toalhas de banho e de rosto, o Planalto adquiriu aparelhos de malhação e até roupões de banho. Ao todo, a conta saiu por R$ 262,8 mil. O conjunto de banho completo custou R$ 7,8 mil. Já a aquisição de 20 frigobares, 100 bebedouros e 30 fragmentadoras de papel custou ao órgão R$ 155,7 mil. A Presidência justificou a compra por eventuais atendimentos em cerimônias oficiais. Outros R$ 99,3 mil foram gastos pela Presidência na reposição de aparelhos de ginástica. Na lista, figuram um crossover angular, um banco extensor e outro flexor, um apolete, um crucifixo, duas esteiras eletrônicas e um smith machine (plataforma para a realização de vários exercícios). Segundo o órgão, a aquisição dos equipamentos ocorreu em função da necessidade de manutenção ou melhoria do treinamento de força e do condicionamento físico do pessoal da segurança e para melhoria da qualidade de vida dos servidores.
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UNIDOS PELA REFORMA ADMINISTRATIVA
Os presidentes da Câmara e Senado, Eduardo Cunha e Renan
Calheiros, propõem a redução dos ministérios


A criação desenfreada de ministérios é obra recente da democracia do País e se acentuou na era petista no poder. O ex-presidente Getúlio Vargas (1951-54) contava com apenas 11 pastas de primeiro escalão. Juscelino Kubitschek (1956-61), 13. O governo Fernando Henrique Cardoso terminou seu mandato (1994-2002) com 24 órgãos. Lula (2003-2010), para abrigar a aliança que o elegeu, criou mais 11, chegando a 35 – um recorde até então. Dilma o superou: subiu para 39. O cenário de distribuição de poder em Brasília é uma anomalia especialmente se comparado a outros países, como França, Portugal, Espanha e Suécia, que possuem uma média de 15 ministérios. Para se ter uma ideia do despropósito do aparelhamento, quem hoje discute corte de ministérios como ocorre atualmente no Brasil é o pobre Moçambique, que possui 28 pastas e está sendo pressionado a reduzir a própria estrutura por países que o apóiam financeiramente. “Essa forma de gestão caminha na contramão da história e de tudo aquilo que seria o ideal para a administração pública, não só no Brasil, mas em qualquer País. A criação desses ministérios é uma forma de abrigar a base aliada do governo e acelera ainda mais as distorções dentro da máquina pública”, afirma José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB).
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A necessidade de enxugamento da máquina administrativa ganhou eco durante a última campanha presidencial. O então candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) propôs a fusão de ministérios, de modo a reduzir drasticamente os gastos e a estrutura governamental. Nos últimos dias, foi a vez de o PMDB encampar a bandeira da reforma administrativa. Como se não ocupasse fatia considerável da Esplanada e não exigisse a nomeação de um sem-número de afilhados políticos como condição ao apoio ao governo – a qualquer governo, diga-se – caciques peemedebistas, caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, querem limitar a 20 o número de ministérios. Um projeto de sua própria autoria já está em tramitação na Casa. Na semana passada, depois de discursar para empresários, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), engrossou o coro. Afirmou, em tom de ironia, que o momento exigia o lançamento pelo governo do programa Menos Ministérios, numa brincadeira com o programa Mais Médicos. Renan promete apoiar a proposta de Cunha. “Isso vai gerar menos cargos comissionados, menos desperdício e menos aparelhamento. Devemos aproveitar a oportunidade”, disse ele. 
Pressionada pelo Congresso e pelos protestos nas ruas, Dilma pode ser forçada a repensar a estrutura da portentosa burocracia que ajudou a criar. No final da última semana, informações oriundas do Planalto deram conta de que um estudo teria sido encomendado à Casa Civil visando à redução no número de pastas. Resta saber se a presidente ficará mais uma vez na retórica ou atenderá ao clamor público.

Governos Estadual e Federal apresentam metas para o Sistema Prisional




O governador do estado, Robinson Faria, juntamente com o ministério da Justiça, através da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SNSP) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), anunciou metas e medidas para o sistema prisional do Estado, um dos maiores problemas enfrentados pela sociedade não só em nível local, como nacional. Dentre as medidas anunciadas, destacam-se: permanência da Força Nacional durante 60 dias nos presídios que estão sendo recuperados, para dar um reforço ao policiamento durante as obras; doação pelo Depen de equipamentos tecnológicos de inspeção como detectores de metais sendo, 18 do tipo pórtico; 83 do tipo manual, 36 detectores do tipo banqueta e dois aparelhos de Raio-X, o que vai melhorar substancialmente as revistas dos visitantes aos presos, uma das reivindicações dos amotinados.

Como o déficit de vagas nas penitenciárias é de 4 mil presos há pelo menos 10 anos no Estado, os esforços conjuntos do Governo estadual e do Ministério da Justiça também vão possibilitar a aceleração da obra de construção da Cadeia Pública Masculina que será localizada a cerca de 10 quilômetros do perímetro urbano de Ceará-Mirim, com 603 vagas, num aporte de recursos federais na ordem de R$ 14,7 milhões. “Estamos vivendo um momento histórico no que diz respeito à união de esforços entre Governo Estadual, Federal e sociedade civil”, disse Robinson Faria, referindo-se ao trabalho conjunto que vem se configurando desde o início de sua gestão com os diversos agentes institucionais.

Professor Renato Janine Ribeiro é o novo ministro da Educação




A Presidência da República anunciou no início da noite desta sexta-feira (27) que o professor Renato Janine Ribeiro será o novo ministro da Educação. A informação foi antecipada pelo Blog do Camarotti. A posse do novo ministro será no próximo dia 6 (confira a repercussão).

Professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), Janine Ribeiro assumirá o comando do MEC no lugar de Cid Gomes, que deixou a pasta na semana passada após um conflito com deputados em sessão da Câmara.

Janine Ribeiro é o quinto ministro da Educação desde o início do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em janeiro de 2011. Antes dele, passaram pela pasta Fernando Haddad, atual prefeito de São Paulo; Aloizio Mercadante, hoje ministro da Casa Civil; José Henrique Paim; e Cid Gomes. Desde a saída de Gomes, o secretário-executivo da pasta, Luiz Claudio Costa, chefiava o MEC interinamente. Segundo o G1 apurou, ele foi convidado por Janine Ribeiro para permanecer como secretário-executivo.

Há cerca de uma semana, ao negar uma reforma ministerial, a presidente Dilma afirmou que o Ministério da Educação não entraria na divisão partidária do governo, já que, segundo ela, trata-se de um dos ministérios "mais importantes do país".

"O MEC não é dado para ninguém. O MEC é um dos ministérios mais importantes do país porque eu tenho o compromisso de construir um caminho para a educação brasileira dando mais passos do que nós já demos", afirmou, após ser questionada sobre se, com a saída de Cid Gomes, a pasta seria “devolvida” ao PT ou “entregue” ao PMDB.

Doutor em filosofia, Renato Janine Ribeiro ensinava ética e filosofia política na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Entre os cargos que ocupou está o de presidente da Comissão de Cooperação Internacional da USP (CCInt), entre 1991 e 1994, e secretário e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre 1997 e 1999. Também foi diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de 2004 a 2008, quando coordenou mais de 2,5 mil cursos de mestrado e doutorado do Brasil.

Janine Ribeiro publicou diversos livros na área de filosofia e ciência política, entre os quais "A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil", obra vencedora do Prêmio Jabuti 2001 na área de ensaios e ciências humanas.

Nesta sexta, também foi anunciado o novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, tesoureiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Nota
Leia abaixo nota oficial do Palácio do Planalto.

NOTA OFICIAL

A presidenta da República Dilma Rousseff convidou nesta sexta-feira (27) o professor doutor Renato Janine Ribeiro para assumir o cargo de ministro da Educação.

A posse do novo ministro será no dia 6 de abril.

Perfil
Renato Janine Ribeiro tem formação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado pela Université Paris 1 Pantheon-Sorbonne, doutorado pela USP e pós-doutorado pela British Library. É professor titular de Ética e Filosofia Política da USP.

Tem 18 livros editados, além de inúmeros ensaios e artigos em publicações científicas. Em 2001, recebeu o prêmio Jabuti de melhor ensaio.

O novo ministro foi membro do Conselho Deliberativo do CNPq (1993-1997), do Conselho da SBPC (1997-1999), secretário da SBPC (1999-2001) e diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) (2004-2008). Além disso, atuou como membro do Conselho Deliberativo do Instituto de Estudos Avançados da USP e é membro do Conselho Superior de Estudos Avançados da FIESP.

Greve de professores mostra que país patina na educação

Assembleia do sindicato de professores de São Paulo, no vão do Masp


São Paulo – É consenso: valorizar os professores e garantir boas condições às escolas públicas do país são premissas básicas para melhorar nossos índices de educação. No entanto, por mais que políticos e especialistas repitam este mantra, o setor ainda enfrenta inúmeros problemas, e avanços reais parecem estar longe no horizonte.

As dificuldades ficaram mais evidentes nas últimas semanas. Professores da rede pública declararam greve em ao menos quatro estados -- São Paulo, Pará, Paraíba e Santa Catarina. Em São Paulo, os docentes estão acampados em frente à Secretaria de Educação desde ontem. No Paraná, a paralisação durou quase um mês e terminou no início de março. 

Também há mobilizações em ao menos outras sete unidades da federação. No geral, as reivindicações passam por reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

A questão é: se sabemos que é preciso melhorar os investimentos em educação, por que não damos este passo? Segundo especialistas ouvidos por EXAME.com, o tamanho do problema é o que mais dificulta os avanços.

“Toda cidade do país tem uma escola. Então, quando falamos em valorizar o professor estamos falando de um número muito grande de pessoas”, afirma Rubens Barbosa de Camargo, professor da Faculdade de Educação da USP e especialista em política educacional.

Salários


A questão salarial é uma das mais urgentes. Em São Paulo, a média recebida pelos docentes é praticamente metade do que recebem outros profissionais com curso superior, afirma a socióloga Aparecida Neri de Souza, professora da Unicamp e especialista em relações de trabalho no campo da educação. Enquanto os professores ganham em média R$ 2.422,58, os outros recebem R$ R$ 4,247,48.

Em greve desde o dia 13 de março, os docentes da rede estadual paulista pedem 75% de aumento. O piso da categoria, para professores que trabalham 40 horas no ensino médio, é de R$ 2.415.

“Um salário desses no estado mais rico do país é uma vergonha. Fora que hoje temos salas com 50 a 80 alunos”, afirma Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp, principal sindicato da categoria.

O governo afirma que as salas de aula têm em média até 35 estudantes, e argumenta que o piso no estado está acima do piso nacional, que é de R$ 1.917,78.

Condições de trabalho


Além do aumento, os professores em greve em São Paulo reivindicam salas menos lotadas e garantia de água nas escolas em tempos de crise hídrica.

No Pará, além do reajuste, os docentes reclamam da falta de segurança nas unidades. Segundo o sindicato local, recentemente um inspetor de alunos foi assassinado durante o trabalho. Outra reivindicação se refere à estrutura física das escolas. Os professores paraenses relatam que, com as chuvas, os prédios de algumas escolas ficaram comprometidos. Em uma unidade, o teto de uma sala desabou.

Os relatos evidenciam uma situação que tampouco é novidade. Uma pesquisa realizada pela Fundação Lemann ouviu 1.000 professores do país e constatou que as principais necessidades desses profissionais estão ligadas à dificuldade de atender seus alunos de forma adequada.

Quando questionados sobre os fatores que precisam ser enfrentados com maior urgência na educação, os professores consultados responderam: Falta de acompanhamento psicológico para os alunos que precisam (21%), indisciplina dos alunos (14%) e defasagem de aprendizado dos alunos (12%). A baixa remuneração do professor aparece em quinto lugar.

“Quando os professores falam que as condições são difíceis, não estão falando somente de salário. Sem dúvida que ser valorizado como profissional passa por ter uma remuneração adequada, mas também significa ter condições para realizar um bom trabalho. Nesse momento de greves é importante entender que não é só uma questão de reajuste”, afirma Camila Pereira, diretora de projetos da Fundação Lemann.

Prioridades

Para conseguirmos melhorar este quadro é preciso dinheiro. E é justamente neste ponto que as portas começam a se fechar, na opinião do professor Rubens Barbosa de Camargo, da USP . “O Estado faz o discurso da valorização. Porém, na hora de investir, não aplica os recursos necessários. Investir em educação é caro não dá visibilidade”, afirma.

Segundo Camargo, há um processo histórico de desvalorização da educação pública, que vem desde a década de 1960. “A educação pública só foi valorizada quando era voltada para uma parcela pequena da população. Isso começou a mudar com a maior urbanização do país e, desde então, ela nunca foi valorizada de fato”, explica.

Aparecida Neri de Souza, da Unicamp, concorda com essa avaliação, e cita o aumento significativo de professores temporários nas redes. “As condições de emprego dos professores têm piorado significativamente. Há uma disparidade de contratos temporários, pelos quais o professor é obrigado a ficar desempregado para conseguir voltar um tempo depois”, afirma.

No entanto, apesar do cenário desanimador, existem algumas boas notícias, dizem os especialistas. A lei do piso nacional do professor, em vigor desde 2009, tem ajudado a melhorar os vencimentos desses profissionais, ainda que a defasagem em relação aos outros trabalhadores seja alta.

Outro avanço é o Plano Nacional de Educação, aprovado em junho do ano passado, que estabelece uma série de metas a serem atingidas para melhorar a educação no país. “As condições de avançaram um pouco, mas ainda há muitos passos a serem dados”, resume Camargo.

Operação Mossoró Integrada aborda cerca de 500 pessoas e apreende drogas e veículos



Policiais Militares e Guardas Municipais de Mossoró atuaram integrados, na tarde desta quinta-feira (26), numa eficiente ação de combate ao crime denominada Operação Mossoró Integrada. Mais de 20 bairros do município contaram com um verdadeiro “pente fino” das forças de segurança o que resultou na abordagem de cerca de 500 pessoas a pé e em veículos. Foram vistoriados 115 automóveis e 178 ciclomotores e apreendidos três menores por uso de entorpecentes, duas gramas de maconha e 14 ciclomotores. Uma pessoa foi presa em flagrante por embriagues ao volante.

A operação, realizada durante toda a tarde e início de noite desta quinta-feira, consistiu no emprego de patrulhamento tático-móvel, juntamente com montagens de barreiras fixas, blitz e abordagens. A iniciativa dos Policiais Militares e Guardas Municipais foi bastante elogiada pelos mossoroenses e deverá ocorrer semanalmente, em dias e horários alternados.

Participaram da operação, policiais do 2º e do 12º Batalhão de Policia Militar de Mossoró, com apoio do 2º DPRE, da Companhia Independente de Proteção Ambiental (CIPAM), do Esquadrão de Polícia Montada (EPMon) e dos guardas municipais. Ao todo, 80 policiais militares e 20 guardas civis estiveram envolvidos na ação.

Divergência de pautas expõe racha entre grupos anti-Dilma Rousseff

O co-fundador do Movimento Brasil Livre, Kim Kataguiri, no ato do dia 15, na Avenida Paulista

A divergência de ideias ficou explícita na Avenida Paulista já durante o protesto de 15 de março. Enquanto um trio elétrico emitia de suas caixas de som discursos de ódio contra o PT e em prol do impeachment de Dilma, um outro veículo, comandado por homens com roupas camufladas, pedia intervenção militar com o Hino Nacional ao fundo. Ao mesmo tempo, manifestantes rezavam o Pai Nosso logo ao lado, e outros, 200 metros à frente, bradavam músicas do pop nacional e gritavam contra a corrupção.
São dois os pontos que vêm desagradando o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo de jovens responsável pelo agendamento dos protestos, e o Revoltados Online, ambos pró-impeachment. Primeiro, a presença de manifestantes defensores da intervenção militar no governo federal, encabeçados pelo SOS Forças Armadas, vistos por ambos como indesejados. Segundo, o fato de a organização que mais vem recebendo atenção midiática nos últimos dias, o Vem Pra Rua, não levantar a bandeira pela queda de Dilma Rousseff, o que vai de encontro à ideia central proposta pelos atos.
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"Para nós, o Vem Pra Rua tem se mostrado quase tão contraproducente quanto os militaristas nos protestos", diz ao iG Kim Kataguiri, de 19 anos, co-fundador do MBL. "O nosso manifesto é por impeachment", concorda Marcello Reis, de 40 anos, líder do Revoltados Online.
"E aí surgem pessoas que querem aproveitar a oportunidade, que chamamos de oportunistas, para também levar suas causas aos atos que organizamos – o que deixamos, desde que não nos atrapalhem. E é justamente o que o Vem pra Rua tem feito. Enquanto pedimos impeachment, eles só pedem o fim da corrupção. Isso não faz sentido para nós."
"Esvaziamento das manifestações"
A insatisfação com o que chamam de "apropriação dos atos" que organizaram vem na semana em que o fundador do grupo Vem Pra Rua, Rogerio Chequer, passou a ser apontado por alguns veículos midiáticos como o principal líder dos protestos contra Dilma. No último fim de semana, a revista "Veja" publicou na seção "Páginas Amarelas" uma entrevista de três páginas com o empresário de 46 anos. Dias depois, na segunda-feira (23), Chequer foi o entrevistado da semana no tradicional "Roda Viva", da TV Cultura.

Tanto o MBL quanto o Revoltados evitam usar nomes, mas deixam claro que, para eles, tanta atenção seria consequência de um suposto envolvimento do Vem pra Rua, de Chequer, com o PSDB. "Todos os grupos no Brasil, e isso está muito claro para nós, estão pedindo impeachment. Agora, existe um grupo com uma pauta muito similar à do maior partido de oposição do País e que possui uma relação de grande amizade com as principais lideranças do partido. E me parece que ele ajuda a criar nestes atos um simulacro de 2013, que é justamente o desejo da Dilma", comenta Renan Santos, de 31 anos, um dos líderes do MBL.
Para Santos, do MBL, a presença de grupos sem o foco unânime de tirar a presidente do poder pode acabar levando ao esvaziamento das manifestações, como teria ocorrido quase dois anos atrás. Na ocasião, após alguns atos em prol da tarifa zero no transporte público, a população aderiu com empolgação às ruas, mas com reivindicações e ideologias tão distantes que em poucos protestos as chamadas "Jornadas de Junho" chegaram ao fim. Chequer, no entanto, rechaça a postura dos colegas de rua.
"Não vejo qualquer sentido nisso. Nosso posicionamento é o mesmo de antes do dia 15: não somos a favor do impeachment, mas isso pode mudar a qualquer momento. Já tínhamos essa postura antes e isso não esvaziou as ruas. Pelo contrário, levamos centenas de milhares de pessoas a elas", rebate Chequer. "Além disso, não vejo nada que pudesse indicar que estaríamos tentando nos apropriar do movimento em geral. Não é o nosso objetivo diminuir a importância de nenhum grupo ou de suas causas. E, não, não temos nenhuma conexão com o PSDB, nem ideológica e nem financeira."
Rogerio Chequer no protesto do último dia 15 de março: a mais festejada figura dos atos
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
Rogerio Chequer no protesto do último dia 15 de março: a mais festejada figura dos atos
Os grupos pró-impeachment discordam. "Ninguém sai de casa contra um inimigo genérico, contra a corrupção, pela esperança, pela probidade, pela ética. É um protesto contra a Dilma, com foco, cara e objetivo. E, quando o Vem Pra Rua age como tem agido, eles e os militares acabam competindo para ver quem nos atrapalha mais", ataca Santos, do MBL. 
"Eu não posso afirmar que o Chequer tenha relação com o PSDB, mas o grupo dele fez campanha em prol do Aécio [Neves à presidência], os mesmos artistas que apoiaram o Aécio [Neves à presidência] aparecem nos vídeos deles, o [senador tucano] José Serra discursou no caminhão deles [em dezembro]. É aquela coisa do cavalo: relincha, tem crina, anda de quatro, mas eu não posso falar que é um cavalo."
Cordialidade ameaçada
Também houve um afastamento entre os grupos de alguns meses para cá. Se, de acordo com os líderes do MBL, antes havia um relacionamento próximo para debates, inclusive de discussões devido a discordâncias políticas – o Revoltados Online, por exemplo, chegou a postar nas redes sociais após as eleições que "a única saída para o Brasil é a intervenção militar", e voltou atrás, hoje rechaçando a proposta –, atualmente a proximidade entre os pró-impeachment e os grupos discordantes a eles é quase nula. 

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No meio desse caldeirão ideológico, a questão militar passou a ser ridicularizada. Após ver um cartaz no caminhão do movimento SOS Forças Armadas nos protestos do dia 15 com a frase "impeachment é para otário", Marcello Reis passou a classificar "quem pede intervenção de abestado". O líder do Revoltados também adotou um apelido que tem sido disseminado nas redes sociais a respeito de Rogerio Chequer, a quem passou a chamar, de forma bem-humorada, de "Talão de Chequer". 
"Só não estamos batendo em ninguém porque nosso lema é 'juntos somos mais fortes'", ameniza Reis, do Revoltados. "Mas não venha usurpar ou tirar os nossos méritos, frutos de anos de luta contra este governo. O cidadão está vindo para a rua porque está revoltado, quer mudança, quer impeachment, e vemos alguns grupos pegando o carro andando e querendo mudar o rumo da proza."
Marcello Reis, do Revoltados Online: ele voltou atrás e não quer mais a intervenção militar
Bárbara Libório/iG São Paulo
Marcello Reis, do Revoltados Online: ele voltou atrás e não quer mais a intervenção militar
O MBL tem postura semelhante. No protesto do dia 15, o grupo por diversas vezes gritou contra o Vem Pra Rua em seus discursos, bradando que o movimento segue "a mesma cartilha de uma oposição frouxa, que não funciona para este País". Também incentivou vaias entre seus seguidores em direção aos caminhões do SOS Forças Armadas ao longo de toda a tarde.
Mas, por ora, o grupo de Chequer é bem-vindo nos atos dos pró-impeachment. Como define Renan Santos, é um movimento "que não afronta a sociedade, com reais valores democráticos e composto por pessoas sérias, apesar de confundir e atrapalhar nosso foco". "Se começassem a tomar posições diferentes das do PSDB até sentiríamos mais confiança em trabalhar com eles", diz a liderança do MBL. Em relação aos pró-militares, no entanto, a coisa muda bastante de figura. 
"Nós os repudiamos. Tanto que, se necessário, entraremos com uma liminar na Justiça exigindo que eles sejam impedidos de protestar conosco. É uma opção e, se houver meios de cumpri-la, a levaremos adiante", afirma Santos, do MBL. "Existem vários outros dias no ano para que eles exponham suas groselhas. Mas que fiquem longe da gente, pois não somam em nada e só atrapalham." 
iG pediu entrevistas a Renato Tamaio e a Aparecido Duca de Almeida, lideranças do SOS Forças Armadas, para comentar as críticas dos outros movimentos à sua ideologia, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

    Operação Zelotes Grandes bancos são alvo de operação da PF contra fraudes na Receita




    A Polícia Federal já apreendeu mais de R$ 1,3 milhão, em espécie, como parte da Operação Zelotes, deflagrada na manhã de hoje (26) no Distrito Federal, em São Paulo e no Ceará, em parceria com a Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Corregedoria do Ministério da Fazenda. Em apenas um dos 41 locais onde foram cumpridos os mandados de busca e apreensão, foram encontrados R$ 800 mil em espécie.

    Como o inquérito está sob segredo de Justiça, a Polícia Federal e a Receita Federal não revelaram os nomes das empresas nem das pessoas envolvidas na fraude. Informou-se apenas que estão sendo investigadas instituições financeiras, como grandes bancos, empresas do ramo automobilístico, da indústria, da siderurgia e da agricultura, além de dez integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – o antigo Conselho de Contribuintes da Receita, vinculado ao Ministério da Fazenda – e escritórios de advocacia e de contabilidade.

    A quadrilha, segundo a PF, fazia um “levantamento” dos grandes processos no Carf, procurava empresas com altos débitos junto ao Fisco e oferecia "facilidades", como anulação de multas. “[A organização criminosa] valendo-se da proximidade com alguns conselheiros nessa defesa de interesse privado, algumas vezes, precisava de algum [pedido de] vista para trancar a pauta, segurar um tempo para conseguir alguma outra medida judicial, e eles vendiam esse pedido de vista”, explicou o delegado da Polícia Federal Marlon Cajado, responsável pelo caso.

    Divulgação/Polícia Federal





    Segundo ele, os valores cobrados pela quadrilha variavam de acordo com a ação em questão. “Em um caso específico que identificamos, estava em torno de R$ 300 mil para fazer o exame de admissibilidade. Também observamos o pagamento de R$ 30 mil, R$ 50 mil para um pedido de vista”, exemplificou.

    De acordo com as investigações, iniciadas em 2013, estima-se que o esquema criminoso que atuava no Carf tenha tentado fraudar, desde 2005, mais de 70 processos tributários, que podem acarretar prejuízo superior a R$ 19 bilhões aos cofres públicos.

    O delegado afirmou que, até o momento, foram identificados “indícios veementes” da manipulação de cinco julgamentos já finalizados em que o Estado foi lesado em quase R$ 6 bilhões. “Esta é uma das maiores, se não a maior, organização especializada em crimes de sonegação do país”, ressaltou o diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, Oslain Santana.

    A corregedora-geral do Ministério da Fazenda, Fabiana Lima, disse que, se comprovada a existência de fraude nos processos já julgados, mesmo que eles tenham caráter definitivo por se tratar da última instância recursal da esfera tributária, eles poderão ser anulados. “Constatado o vício de legalidade, será solicitada a revisão dos processos e serão submetidos a novo julgamento”, disse.

    Os envolvidos responderão pelos crimes de advocacia administrativa fazendária, tráfico de influência, corrupção passiva, corrupção ativa, associação criminosa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O termo Zelotes, que dá nome à Operação, tem como significado o falso zelo ou cuidado fingido. Refere-se a alguns conselheiros julgadores do Carf que não estariam atuando com o zelo e a imparcialidades necessários.

    "Vai chocar a sociedade", diz musa da direita sobre ensaio nu para revista




    Transformada em musa das manifestações contra o governo após tirar a blusa e mostrar os seios durante o protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT), a empresária Juliana Isen, de 36 anos, já foi convidada para posar nua.


    Juliana confirmou ao iG que irá posar para a equipe da revista "Sexy" nesta sexta-feira (27). Sem revelar detalhes, ela apenas confirmou que a publicação deve ir às bancas em maio ou junho.

    “Eu não vou querer nada escancarado, mas é surpresa. Acho que vai chocar muito a sociedade. Vai ser bafão”, disse.

    A manifestante também já confirmou a participação nos próximos protestos agendados contra o governo para o próximo dia 12, na Avenida Paulista.

    Perguntada se o ensaio teria relação com este dia, ela se limitou a dizer: “Vai ficar subentendido. O que eu posso dizer é que minha revista vai chocar”.
     
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